Minhas dívidas não param de crescer: O que fazer?

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Segundo dados da Serasa, mais de 60 milhões de brasileiros estão inadimplentes;  saiba como quitar débitos em atraso e evitar novas dívidas.

João queria comprar um smartphone novo, com câmera de última geração e muito mais recursos do que seu aparelho atual. O preço estava acima do orçamento, mas ele não resistiu: parcelou em 10 vezes no cartão e saiu da loja feliz da vida com o celular.

No final do mês, quando recebeu a fatura, ele se deu conta de que tinha várias outras compras parceladas no cartão. A conta ficou muito cara e ele não conseguiu fazer o pagamento integral. Precisou entrar no rotativo, quitando apenas o valor mínimo, equivalente a 15% do total.

No mês seguinte, a situação piorou: era preciso pagar o saldo devedor acrescido dos juros – que ultrapassam a faixa dos 10% ao mês –  além das novas compras e outras parcelas que também estavam vencendo.

Em pouco tempo, a dívida do cartão virou uma bola de neve e João não tinha mais condições de pagar nem o mínimo.

Mas os problemas não pararam por aí. Ele estava inadimplente em um outro cartão e algumas contas básicas da casa, como água, luz, internet e gás, também estavam atrasadas .

João é apenas um personagem, mas ele poderia ser um dos milhões de brasileiros que enfrentam dificuldades para arcar com seus débitos e acumulam dívidas.

De acordo com dados da Serasa, 61,4 milhões de pessoas estavam inadimplentes em dezembro do ano passado, o que equivale a 38,6% da população adulta do país.

Boa parte delas observam as dívidas crescendo todos os meses, mas não sabem o que fazer para mudar o cenário.

Faça um “raio x” das suas finanças

Especialistas explicam que é necessário agir rapidamente para evitar que a situação financeira piore ainda mais por conta da ação dos juros. O primeiro passo é fazer um “raio x” completo das finanças da família, anotando todas as receitas e despesas fixas do mês.

Vamos voltar ao exemplo do nosso personagem para ficar mais fácil de entender.

Digamos que João more sozinho e tenha um salário líquido, já descontados os impostos, de R$ 1.800. Além disso, ele ganha R$ 400 de vale alimentação e recebe outros R$ 500 mensais fazendo um bico todo fim de semana. Portanto, as suas receitas são de R$ 2.700 por mês.

Já as suas despesas fixas somam R$ 2.300:  R$ 700 de aluguel, R$ 350 de contas básicas (água, luz, telefone e internet), R$ 650 de mensalidade da faculdade, R$ 400 de supermercado – que ele paga usando o vale alimentação -, e R$ 200 gastos em atividades de lazer e cultura.

Isso quer dizer que João consegue guardar R$ 400 de tudo o que recebe mensalmente.  Logo, esse dinheiro deverá ser utilizado para o pagamento das dívidas que já foram contraídas e que estão em atraso.

Importante: se, ao contrário do personagem, você não tiver uma folga no orçamento mensal, será necessário fazer cortes de despesas para pagar as dívidas, como explicaremos mais adiante.

Pronto. Sabendo o valor que você pode pagar por mês para quitar as dívidas, é hora de fazer a negociação com os credores.

Como fazer a negociação

O primeiro passo é avaliar todos os débitos individualmente: valor total da dívida, número de parcelas que faltam ser pagas, qual a taxa de juros, etc. 

Antes de começar, tenha em mãos todos os documentos que comprovem que você tem capacidade financeira de pagar os débitos atrasados.  

Também é importante questionar sobre os descontos em relação ao valor total e quais serão os juros cobrados nesta operação. Se conseguir quitar à vista, negocie um abatimento maior.

“Se restar alguma dúvida, não decida por impulso. Peça para que a proposta de negociação seja feita por escrito. Leve para casa, discuta com a família e volte depois com uma contraproposta. Ou, se houver concordância, volte para assinar o contrato de negociação”, aconselha a Serasa Experian, em artigo publicado em seu site.

Lembre-se também de que o valor das parcelas mensais da negociação não poderá ultrapassar o quanto você tem disponível no orçamento mensal. Se isso acontecer, você acabará contraindo novas dívidas para pagar as anteriores e vai se complicar ainda mais.

Muito cuidado com os juros compostos

Os juros compostos são poderosos e você deve tomar cuidado com eles quando contrair alguma dívida no cartão de crédito, fizer empréstimos pessoais ou entrar em financiamentos bancários.

Para se ter ideia, uma conta de R$ 2.000 não paga no cartão de crédito se transformará em um débito de R$ 7.791 em um ano, se considerarmos uma taxa de juros de 12% ao mês.

Parece mentira, mas é isso mesmo: se você deixar de pagar a fatura do cartão por 12 meses, a dívida inicial de R$ 2.000 ficará quase quatro vezes maior por conta dos juros que são cobrados pelas administradoras de cartão.

Mesmo que você consiga negociar e abater uma parte deste total, vai acabar com um prejuízo enorme se deixar de quitar a fatura em dia.

Por isso, é fundamental se organizar financeiramente para evitar cair em armadilhas financeiras como essas.

Organize seu orçamento e fuja das dívidas

Para ter uma vida financeira saudável a regra básica é não gastar mais do que ganha.  Por mais que a tentação de fazer compras parceladas e usar o cartão de crédito seja grande, não se esqueça que todos estes gastos devem ser pagos em dia.

Caso contrário, você vai acabar se perdendo em dívidas e ficará cada vez mais difícil reverter a situação por conta dos juros compostos.

Se os seus gastos superarem aquilo que você recebe por mês, existem duas alternativas: ou você diminui parte das despesas ou aumenta as suas receitas.

Se optar por reduzir gastos, avalie o que pode ser cortado sem tantos prejuízos para o seu dia a dia. Mudar o plano do celular, reduzir o pacote da TV a cabo, passar a cozinhar em casa em vez de almoçar fora, entre outras atitudes, podem ajudar nesta tarefa.

Já se você achar que pode ganhar mais, deve avaliar a possibilidade de trocar de emprego ou então obter uma renda extra, fazendo algum trabalho fora do seu expediente – desde que isso não prejudique a sua vida pessoal e não atrapalhe sua rotina.

Seguindo essas recomendações, você conseguirá manter seu orçamento sempre em dia e terá condições de evoluir financeiramente.

Equipe alt.bank

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