Empréstimo consignado: Vale a pena fazer?

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Modalidade de empréstimo oferece juros mais baixos, mas débito é feito direto na folha de pagamento; entenda como e quando utilizar

A possibilidade de conseguir dinheiro de forma rápida e com juros relativamente baixos leva muitas pessoas a optarem pelo empréstimo consignado. Mas será que esta é uma modalidade de crédito vantajosa para o cliente?

Antes de responder a essa pergunta, vamos entender como funciona o consignado.  

Neste tipo de empréstimo, as parcelas são descontadas diretamente do salário ou do benefício de quem fez a contratação.

Existem duas formas de crédito consignado:

  • Convencional: possui prazo e prestação determinados. O cliente recebe o valor do empréstimo da instituição financeira e as prestações são descontadas automaticamente do seu salário, benefício ou pensão.
  • Cartão de crédito consignado: funciona como um cartão de crédito comum, utilizado para o pagamento de compras. A diferença é que o valor da fatura pode ser descontado, total ou parcialmente, da sua folha de pagamento.

Pela lei, o limite de comprometimento da renda com a parcela é de 30% para empréstimos com desconto em folha e 5% para cartão de crédito, podendo totalizar 35% na soma de ambos.

Juros mais baixos

É justamente por conta da garantia de pagamento das parcelas que os bancos e financeiras conseguem oferecer juros mais baixos para este tipo de operação.

Para se ter ideia, os juros médios do consignado eram de 18,9% ao ano em janeiro de 2021, segundo dados do Banco Central. No mesmo mês, a taxa média do empréstimo comum para pessoas físicas era de 85,4% ao ano, ou seja, mais de 4 vezes maior.

Se considerarmos os juros do cheque especial (média de 119,6% ao ano) e do rotativo do cartão de crédito (329,3% ao ano), a diferença entre as taxas é ainda mais expressiva. 

Trocar por dívidas mais baratas

Já que a taxa de juros é muito mais baixa, então vale a pena fazer um consignado? Depende.

Segundo especialistas, esse tipo de operação é vantajosa em casos em que o cliente possui dívidas mais caras, como no cheque especial ou rotativo, e decide quitá-las usando o dinheiro do empréstimo consignado.

Nesta situação, o devedor vai trocar uma dívida cuja taxa pode chegar a 300% ao ano, por outra bem mais barata. Ele conseguirá quitar seu débito mais rapidamente, gastando menos com o pagamento de juros.

Mas é importante planejar bem como será feita essa reestruturação da dívida. Como o consignado é debitado automaticamente do salário ou do benefício, não existe a possibilidade de atraso no pagamento. 

Na prática, se o contrato estabelecer parcelas de R$ 300, é como se esse valor fosse subtraído do seu salário durante todos os meses até a quitação. A questão é: suas finanças comportam essa diminuição de receitas?

Se a resposta for “não”, você deverá reavaliar seu orçamento, cortar despesas e adequar o valor do empréstimo à sua realidade.

Uma outra situação em que o consignado pode valer a pena é aquela em que a pessoa precisa de dinheiro para algum imprevisto, como arcar com gastos inesperados com saúde.

Neste caso, como existe a necessidade de recursos de forma urgente, optar por uma dívida mais barata é melhor do que pagar os juros do cheque especial ou usar o rotativo do cartão de crédito.

Quando não solicitar

Já se você quiser comprar algum produto, mas não tem muita urgência, não vale a pena contrair um empréstimo com esta finalidade.

Afinal de contas, por mais que a taxa de juros desta modalidade seja mais baixa comparando com outros produtos de crédito, ela ainda pesa no bolso do consumidor. 

Para exemplificar, se uma pessoa adquirir um empréstimo consignado de R$ 2.000 com prazo de quitação em dois anos (24 meses) ela irá pagar, em média, R$ 720 só de juros, considerando a taxa média cobrada no Brasil.

Já se o empréstimo for de R$ 5.000 para pagamento em 3 anos (36 meses), o total de juros cobrados chegará próximo dos R$ 3.000.

Percebe como todo tipo de empréstimo tem um ônus considerável para os clientes? Ou seja, por mais que possa parecer vantajoso, é preciso avaliar a situação antes de assinar um contrato como esse.

Cuidados ao contratar 

Como você pode perceber, o empréstimo consignado pode ser uma alternativa em situações de emergência ou quando você precisa reestruturar uma dívida que já contraiu anteriormente. 

Ainda assim, é importante tomar alguns cuidados na hora de contratar um empréstimo consignado. Veja algumas recomendações do Banco Central:

  • Não realize adiantamentos ou pagamentos para ter o empréstimo aprovado.
  • Pesquise e compare as taxas de juros e condições oferecidas por outras instituições.
  • Avalie o Custo Efetivo Total (CET), que resume o preço da operação, incluindo outras tarifas que podem ser cobradas.
  • Nunca assine um contrato ou uma proposta de contrato em branco.
  • Saiba que esse tipo de operação representa dívidas que poderão afetar seu orçamento familiar, em razão do comprometimento mensal do seu salário ou benefício.
Antes de assinar o contrato de empréstimo, pesquise e compare as taxas de juros e condições oferecidas por outras instituições.

Procure se planejar e evite contrair dívidas

Lembre-se sempre que o ideal é que você planeje as suas finanças e crie uma reserva de emergência, guardando um pouco por mês sempre que conseguir.

Esse dinheiro poupado será utilizado sempre que houver necessidade de obter algum recurso com urgência e vai evitar que você precise pagar juros, mesmo que seja uma taxa relativamente menor do crédito consignado.

Por fim, se você ainda não tiver dinheiro guardado e decidir contratar um empréstimo nessa modalidade, pesquise as taxas entre as instituições, atente-se às recomendações do Banco Central e faça um planejamento adequado para que o valor da parcela não prejudique o seu orçamento.

Procure planejar suas finanças e crie uma reserva de emergência, guardando um pouco por mês sempre que conseguir.

Equipe alt.bank

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