Saiba o que é inflação e como ela afeta sua vida financeira

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A inflação é o aumento dos preços dos produtos e serviços, que prejudica toda a população; saiba como se proteger

Se você não sabe direito o que é inflação, precisa ficar bem atento. Afinal de contas, o aumento dos preços voltou a assustar os brasileiros principalmente após o início da pandemia.

Com certeza você já percebeu que boa parte dos produtos que consome no dia a dia ficaram muito mais caros nas prateleiras dos supermercados, não é?

Para você ter ideia, no mês de maio de 2021, a inflação ficou em 0,83%. Esse foi o maior resultado para um mês de maio desde 1996, ou seja, em 25 anos.

Nos últimos 12 meses, a inflação atingiu 8,06%, muito acima da meta do governo, que é de no máximo 5,25%.

No Brasil, a inflação oficial é medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

A inflação voltou a assustar os brasileiros principalmente após o início da pandemia. (Pixabay/Squirrel_photos)

Veja neste artigo como a inflação prejudica a nossa vida e saiba como se proteger do aumento generalizado dos preços.

O que é e como funciona a inflação?

A inflação é o nome que se dá para o aumento dos preços dos produtos e serviços. Arroz, feijão, carne, leite, ovos, legumes, verduras, e outras centenas de itens são levados em consideração para calcular a inflação.

No Brasil, o índice que mede a inflação oficial é o IPCA. Quando a maior parte desses produtos fica mais cara, o IPCA aumenta.

Vamos dar um exemplo. Se o IPCA foi de 5% em um ano, quer dizer que os preços dos produtos ficaram em média 5% mais caros.

Ou seja, aquela compra você gastava cerca de R$ 100 no supermercado, agora passa a custar R$ 105. Viu como a inflação afeta a nossa vida?

Mas, além do IPCA, existem outros índices de inflação que também são calculados no país. Um deles é o IGP-M (Índice Geral de Preços-Mercado), medido pela FGV (Fundação Getúlio Vargas).

Enquanto o IPCA busca refletir os preços ao consumidor final, a maior parte do IGP-M (60%) se refere aos preços do atacado.

A inflação é o nome que se dá para o aumento dos preços dos produtos e serviços (Pixabay/ccipeggy)

História da inflação no Brasil

O Brasil foi afetado pela inflação durante muitos anos, especialmente durante a década de 1980 e o início dos anos 1990.

Neste período, nosso país viveu o que era chamado de hiperinflação. Para você ter ideia, a inflação chegou a subir mais de de 6.000% em um único ano.

Como exemplo,  um produto que custava o equivalente a R$ 10 em janeiro, terminou o ano com o preço de R$ 610. Surreal, não é mesmo?

Quem tem mais de 40 anos com certeza se lembra dessa época, em que as pessoas corriam para o supermercado assim que recebiam o salário para fazer as compras antes que os produtos ficassem mais caros.

Naqueles anos, os preços mudavam diariamente e tinha até um funcionário que passava o dia todo remarcando as embalagens.

Se você ainda não era nascido, pergunte aos seus pais que com certeza eles vão se lembrar desse período.

Nos anos 1980 e início de 1990, os preços mudavam diariamente a o Brasil vivia a “hiperinflação” (Pixabay/Stevepb)

Como a nossa moeda tinha muito pouco valor, era muito comum até mesmo que imóveis e veículos fossem anunciados nos classificados com preço em dólar. Afinal, essa era uma moeda forte que não perdia valor de um dia para o outro.

O Fantasma da inflação 

O fantasma da inflação assolou o Brasil durante algumas décadas. Como falamos anteriormente, os preços mudavam de um dia para o outro e o dinheiro perdia valor muito rapidamente.

Por exemplo: era comum que, pela manhã, o quilo de arroz fosse vendido por um preço no mercado, e no final do dia já estivesse mais caro no mesmo estabelecimento.

O mesmo acontecia com outros produtos básicos comercializados no supermercado, como feijão, açúcar, óleo, café e diversos outros itens.

Já imaginou a dificuldade de fazer um planejamento das finanças em uma situação como essa? Parece impossível, não é mesmo?

Mas a verdade é que o fantasma da inflação só deixou de incomodar os brasileiros em 1994, quando foi estabelecido o Plano Real no país.

Neste momento, o Brasil passou a ter uma moeda mais estável, que não perdia valor do dia para a noite como acontecia com as moedas que tínhamos anteriormente, como o cruzeiro, cruzado, cruzado novo, etc.

Isso não quer dizer que a inflação deixou de existir a partir de 1994, mas sim que ela ficou em níveis considerados normais.

Com isso, a população podia se planejar melhor para fazer suas compras e conseguia ter uma vida financeira mais tranquila.

Quanto está a inflação hoje?

A inflação voltou a subir mais acentuadamente nos últimos meses, principalmente a partir do início do ano de 2020.

A última medição do IPCA, que é o nosso índice oficial de inflação, registrou alta de 0,83% no mês de maio de 2021, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

De janeiro até maio, a inflação já acumulou alta de 3,22% e em 12 meses, o IPCA registrou aumento de 8,06%.

Como a inflação influencia suas finanças?

A inflação afeta diretamente as suas finanças porque ela corrói o seu poder de compra. Ou seja, cada vez que a inflação aumenta, o seu dinheiro passa a valer menos, porque ele compra menos coisas.

Para você ter ideia do que isso significa, de julho de 1994, data em que o Plano Real foi criado, até maio de 2021, a inflação acumulada no Brasil foi de 535%.

Isso quer dizer que o poder de compra de uma nota de R$ 100 há 27 anos equivale a apenas R$ 14 atualmente.

Na prática, se uma pessoa guardou dinheiro dentro de casa, em um cofre, sem nenhum rendimento, ela perdeu um valor considerável durante esse período.

Afinal, os R$ 100 que ela tinha naquela época não compram nem 1/5 dos produtos hoje em dia. 

Como se proteger da inflação?

Existem algumas saídas para se proteger da inflação. Os salários, por exemplo, costumam ser reajustados todos os anos com base na inflação do período. Isso normalmente é definido pelo sindicado de cada categoria de profissional.

Até mesmo o salário mínimo possui uma correção anual para anular os efeitos da alta dos preços.

Em relação ao dinheiro que você consegue economizar, a única maneira de garantir uma proteção contra a inflação é fazendo investimentos.

Dessa forma, o rendimento da aplicação consegue anular o efeito da inflação nas suas economias.

Quando você investe, o rendimento da aplicação pode anular o efeito da inflação nas suas economias. (Unsplash/Damir Spanic)

Mas é importante saber que não são todos os investimentos que são capazes de render mais do que a inflação todos os meses.

A caderneta de poupança, por exemplo, rende atualmente cerca de 2,8% ao ano, enquanto a inflação já ultrapassa a faixa de 8% ao ano.

Isso quer dizer que quem investe na poupança não está conseguindo manter o poder de compra do seu dinheiro ao longo do tempo e suas economias estão desvalorizando.

Uma das melhores maneiras de se proteger da inflação com os investimentos é escolhendo aplicações que possuem o rendimento atrelado à própria inflação.

Ou seja, se o IPCA for de 10% em um ano, aquele investimento vai render 10% (referente à inflação) e mais uma taxa extra, que varia de acordo com cada aplicação.

Um exemplo desse tipo de aplicação é o Tesouro IPCA +, título negociado pelo Tesouro Direto.

Quando você aplica seu dinheiro nesse título, seu rendimento será o mesmo que o IPCA (o índice oficial de inflação do Brasil), acrescido de uma taxa extra, que é definida no momento em que você realiza o investimento.

Vamos exemplificar. Uma pessoa que investiu no dia 18 de junho no Tesouro IPCA+ com vencimento em 2026, conseguiu um rendimento equivalente ao IPCA do período mais 3,91% ao ano.

Se em 2021 a inflação ficar em 10%, esse investidor vai receber 13,91% (10% do IPCA e 3,91% dessa “taxa extra”).

Percebe como essa é uma ótima alternativa para que o seu dinheiro renda mais do que a inflação e você mantenha o seu poder de compra ao longo do tempo?

No entanto, existe uma ressalva: quando você aplica no Tesouro IPCA, o ideal é deixar o dinheiro rendendo até a o final do prazo da aplicação, que é de no mínimo 5 anos.

Se você precisar sacar antes do vencimento, poderá receber menos do que essa taxa e às vezes até ter prejuízo. Portanto, tenha muita atenção e só invista se puder deixar o dinheiro parado por bastante tempo.

Quem define a meta da inflação?

Desde 1999, o Brasil optou por utilizar o regime de metas de inflação. Com isso, são estabelecidos objetivos em relação ao IPCA e o Banco Central (BC) deve atuar para controlar possíveis altas em caso de necessidade.

 A meta de inflação é definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é o órgão máximo do Sistema Financeiro Nacional (SFN) brasileiro.

Depois que a meta é definida pelo CMN, cabe ao BC adotar as medidas necessárias para que a inflação fique dentro dos parâmetros que foram estabelecidos.

Um dos principais instrumentos usados pelo Banco Central para controlar a alta da inflação é a Selic, a taxa básica de juros do país.

A cada 45 dias, o Copom (Comitê de Política Monetária do BC) se reúne para definir qual será a Selic do período. Quando a inflação está muito alta, como agora, a tendência é que o Copom aumente a taxa básica de juros.

É justamente isso que tem acontecido nos últimos meses. Como a inflação disparou, o BC decidiu aumentar a taxa básica de juros, que passou de 2% ao ano no começo de 2021 para 4,25% ao ano em junho, após 3 altas seguidas.

Você pode estar se perguntando por que o aumento da taxa de juros ajuda a reduzir a inflação. 

A resposta é a seguinte: com os juros mais altos, a tendência é que as pessoas guardem mais dinheiro e invistam mais, diminuindo o consumo de uma maneira geral.

Com menos procura pelos produtos, a tendência é que eles fiquem mais baratos e assim a inflação acabará diminuindo.

Conclusão

Como você pode perceber, a inflação está presente no nosso dia a dia e é muito importante entender o seu conceito.

Quando a inflação fica muito alta, nós perdemos poder de compra e o dinheiro começa a valer cada vez menos.

“Inflação baixa, estável e previsível traz vários benefícios para a sociedade. A economia pode crescer mais, pois a incerteza na economia é menor, as pessoas podem planejar melhor seu futuro e as famílias não têm sua renda real corroída”, explica o Banco Central.

Assim como o governo deve se esforçar para conter o avanço da inflação e evitar transtornos para toda a população, nós também precisamos ficar atentos e nos protegermos sempre que for possível.

A melhor maneira de fazer isso é investindo o seu dinheiro em aplicações que tenham um bom rendimento e consigam anular o efeito da alta dos preços ao longo do tempo, como nós explicamos neste artigo.

Já em relação ao seu salário, se o sindicato da sua categoria não conseguir um dissídio (acordo de aumento) que cubra a inflação, procure negociar com o seu chefe uma correção para que você não seja prejudicado.

Dessa forma, você conseguirá manter o seu poder de compra e seu dinheiro estará protegido da “corrosão” que é provocada pelo fantasma da inflação. 

Inflação baixa, estável e previsível traz vários benefícios para a sociedade (Unsplash/Jacek Dylag)

Equipe alt.bank

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