Open banking: entenda o que é e como funciona esse novo sistema

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Você já ouviu falar de open banking? Este conceito pode ser traduzido como “banco aberto” e vai permitir que os clientes solicitem que suas informações bancárias sejam compartilhadas com outras instituições financeiras.

Isso significa que bancos, corretoras, fintechs e todas as empresas que fazem parte do sistema financeiro poderão acessar dados de uma pessoa direto dos sistemas umas das outras, desde que o titular da conta solicite.

O open banking poderá melhorar a sua vida financeira e facilitar seu acesso a produtos e serviços com custos menores, quer saber como? Então continue a leitura.

Nesse texto você irá entender o que é o open banking, as fases do projeto, suas vantagens e como ele vai influenciar sua vida financeira.

O que é open banking?

Open banking é um sistema que possibilita o acesso às informações dos clientes pelas instituições que fazem parte do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e são reguladas pelo Banco Central.

Para ficar mais claro, vamos exemplificar. Digamos que Pedro tenha conta no banco “A” há mais de 10 anos. Lá ele possui uma série de produtos financeiros, como cartão de crédito, cheque especial e um limite de empréstimo pessoal pré-aprovado.

No entanto, há algumas semanas ele decidiu abrir uma conta no banco “B”, que oferece isenção de tarifas e juros bem mais baixos.

O problema é que o banco “B” não tem muitas informações sobre o perfil financeiro do Pedro, então a tendência é que ele tenha dificuldades para conseguir crédito até que se mostre um bom pagador – o que pode demorar meses ou até anos.

Com o open banking, ele poderá pedir que o banco “B” acesse todas as informações da sua conta do banco “A”.

Dados como recebimento de salários, depósitos, além de todo seu histórico de crédito e pagamentos ficarão disponíveis e permitirão uma avaliação muito mais completa do seu perfil.

Na prática, será como se o Pedro já tivesse conta no banco “B” há mais de 10 anos.

Open banking API: O que é?

O compartilhamento dos dados entre os bancos é possível por meio de um sistema conhecido como API (Application Programming Interfaces. Em português: Interface de Programação de Aplicações).

De uma forma resumida, API é uma espécie de programa de computador que possibilita que as instituições se conectem e acessem informações dos clientes umas das outras, dentro das regras estabelecidas pelo open banking.

O compartilhamento vai acontecer por meio de um sistema conhecido como API. Ele possibilita que as instituições se conectem e acessem informações dos clientes umas das outras (Unsplash)

O conceito parte da ideia de que o cliente é o dono dos seus dados cadastrais e financeiros. Por isso, ele tem o direito de disponibilizá-los para outra instituição a qualquer momento.

E por que ele faria isso? Um dos principais motivos é a busca de melhores produtos ou serviços com tarifas menores e juros mais baixos.

O cliente de um banco, por exemplo, poderá cotar a taxa de juros do empréstimo pessoal em uma fintech sem precisar abrir conta lá.

Basta que a fintech acesse o histórico dessa pessoa no outro banco. Assim ela conseguirá obter as informações para oferecer condições mais acessíveis e adequadas ao seu perfil.

Lembre-se de que dados sobre pagamentos, empréstimos efetuados, valores recebidos e todo histórico de movimentação financeira de um cliente são muito valiosos para as instituições financeiras.

Afinal, essas informações permitem traçar o perfil do usuário e oferecer os produtos e serviços ideais para cada pessoa.

Essa “abertura de dados” também permitirá a criação de novos aplicativos, que vão unificar todas as informações financeiras do cliente em uma única plataforma, de forma padronizada e com toda regulamentação do Banco Central.

Qual a diferença entre open banking e open finance?

Open finance significa, em português, “finanças abertas”. Este conceito é considerado mais abrangente do que o open banking por permitir o compartilhamento ainda maior de informações financeiras.

Em dezembro de 2021, quando for implementada a última fase do open banking no Brasil, o sistema passará a ser considerado como open finance.

Neste momento, a maior parte do histórico financeiro dos clientes estará disponível e acessível por todas as instituições, sempre que o titular solicitar.

Ou seja, dados sobre investimentos, seguros e previdência privada poderão ser compartilhados.

Isso vai permitir a comparação de produtos e taxas com maior facilidade e rapidez e tornará a portabilidade de dados mais simples e eficiente.

Como vai funcionar o open banking no Brasil?

O regulamento do open banking no Brasil prevê que todas as instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central podem participar do ecossistema de compartilhamento de informações.

No entanto, o tamanho da empresa vai determinar se ela deverá participar obrigatoriamente ou de forma voluntária.

A regra é a seguinte: as instituições que possuem porte igual ou superior a 1% do PIB (Produto Interno Bruto) ou que tenham forte presença no exterior são obrigadas a participar.

As demais instituições reguladas pelo Banco Central não têm participação compulsória, mas podem aderir se quiserem.

Independentemente da obrigatoriedade de participação, todas as empresas que aderirem poderão receber dados de seus concorrentes, mas também devem compartilhar as informações de suas respectivas bases.

Quando começa o open banking?

O sistema está sendo implementado no Brasil gradualmente e será dividido em 4 fases. Abaixo explicamos quando se iniciará e detalhes específicos sobre cada fase do processo.

Primeira fase

A 1ª fase começou no dia 1º de fevereiro de 2021.

Neste momento, as maiores instituições financeiras do país passaram a disponibilizar informações padronizadas sobre seus canais de atendimento e os produtos e serviços bancários que oferecem.

Nesta fase ainda não estão sendo compartilhados dados dos clientes e o objetivo é permitir que as próprias instituições, desenvolvedores de sistemas e fintechs criem modelos de negócios baseados no open banking.

Comparadores de tarifas bancárias e de cartões de crédito, além de plataformas que integram serviços financeiros de várias instituições são alguns dos negócios que vão começar a surgir.

Segunda fase

A 2ª fase vai começar no dia 15 de julho de 2021 e permitirá que o cliente solicite o compartilhamento de algumas das suas informações sempre que quiser. São elas:

  • Dados cadastrais
  • Transações efetuadas em conta corrente
  • Operações em conta poupança
  •  Contas pré-pagas
  • Transações com cartão de crédito
  • Histórico de operações de crédito

Terceira fase

Já a 3ª fase começará no dia 30 de agosto de 2021. A partir desta data será possível realizar pagamentos sem a necessidade de acessar o app ou site da instituição financeira onde você tem conta.

Por exemplo: ao fazer uma compra pela internet, o cliente poderá iniciar um pagamento de boleto ou fazer uma transferência dentro do próprio site de vendas, sem entrar no internet banking do seu banco.

Também será a partir desta fase que poderão ser enviadas e contratadas propostas de crédito a partir de outras instituições.

Quarta fase

Na 4ª e última fase, com início dia 15 de dezembro de 2021, haverá a ampliação do compartilhamento de dados, com a inclusão de informações sobre:

Vantagens do open banking

A ideia do open banking é facilitar a vida financeira das pessoas, diminuindo custos e agilizando processos, como a portabilidade de dados. Entre as principais vantagens estão:

  • O cliente terá liberdade para compartilhar seus dados e escolher os melhores produtos e serviços financeiros das instituições com as quais quer se relacionar.
  • O sistema possibilitará uma melhor organização da vida financeira dos consumidores, facilitando o controle de receitas, gastos, dívidas e investimentos.
  • Surgirão novas ofertas de produtos com taxas menores e condições de pagamento facilitadas, mais adequados às necessidades e ao perfil dos consumidores.
  •  Do ponto de vista do sistema financeiro, haverá incentivos para a estruturação de um ambiente mais colaborativo entre bancos e outras instituições.
O open banking facilitará a vida financeira das pessoas (Unsplash/Jonas Leupe)

Como o open banking influenciará sua vida financeira?

Imagine ter conta corrente em um banco, utilizar o limite de cheque especial em outro e realizar investimentos em uma terceira instituição.

Tudo isso em um ambiente virtual compartilhado, com diversas funcionalidades e sistemas que permitem uma integração rápida e segura, com a garantia de que seus dados estão protegidos.

Além disso, ao abrir uma conta em uma instituição financeira nova, as solicitações de empréstimos, financiamentos, cartões e demais produtos que exigem aprovação de crédito ficarão muito mais simples.

Afinal, o banco poderá acessar os dados de suas contas em outras instituições para ter mais informações sobre seu histórico e poder liberar produtos com mais facilidade.

As empresas do setor também conseguirão criar produtos e serviços financeiros mais customizados para cada cliente, operando com maior agilidade, conveniência e segurança.

Para especialistas, o maior beneficiado com todas essas transformações é o próprio cliente. 

“[o open banking] Tem como objetivo a busca pela inclusão, inovação, redução de custos, concorrência, competitividade e transparência, favorecendo o consumidor”, diz o artigo publicado pela economista Liliane Cordeiro Barroso, do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste. 

Conclusão

O sistema financeiro brasileiro, considerado um dos mais sólidos e confiáveis do mundo, vem implementando uma série de novidades nos últimos anos.

É a chamada Agenda BC# do Banco Central, que visa estimular a competição e modernizar as operações financeiras no país.

Além do open banking, o sistema de pagamento instantâneo Pix também faz parte dessas iniciativas do Banco Central.

Segundo dados do BC, desde o seu lançamento, em novembro de 2020, o volume de transações envolvendo o Pix atingiu R$ 508 bilhões.

O sistema já conta com 73,2 milhões de usuários e mais de 181 milhões de chaves cadastradas.

Assim como o Pix, o open banking é um sistema totalmente gratuito, que busca facilitar a vida das pessoas com transações mais rápidas e aprovações de crédito em menos tempo, entre diversas outras funcionalidades.

Então aproveite e utilize todos esses serviços para cuidar cada vez melhor das suas finanças. Seu bolso agradece!

Equipe alt.bank

Nosso time de especialistas está focado em criar conteúdos relevantes para te ajudar a ter mais autonomia financeira e promover um sistema financeiro mais justo no Brasil.

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